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Instinto de Eternidade

Eu acredito que o homem possui um instinto de eternidade. Algo que não é possível mudar, está nas maiores profundezas do ser.

Isso explica a nossa inconformação diante das coisas repentinas, diante do fim. O medo da morte. Afinal, sabemos desde sempre que isso tudo que estamos vivendo é passageiro, que a morte irá nos alcançar mais cedo ou mais tarde, porém nunca estamos conformados com essa realidade.

Claro, os orientais parecem mais tranquilos com relação a isso, porém não posso crer, por mais espiritualizados que sejam, que eles encarem a morte como nós encaramos o final de um filme que estamos assistindo.

Quando protagonizamos uma coisa, qualquer que seja, e ela acaba, o sentimento de perda sempre nos atinge; seja num relacionamento, às vezes um emprego que perdemos, ou uma posição qualquer que havíamos alcançado e de repente percebemos que não temos mais.

Então, se apegar a quê, já que tudo se vai? Acho que é impossível viver sem se apegar. Sem se apegar, você só passa pela vida, como um telespectador, essa é a minha opinião. O sentimento traz o apego. Afinal não sabemos do dia de amanhã! O que é certo nessa vida, além da certeza que ela irá acabar um dia? Nada mais. Esse apego a que me refiro é o não querer que acabe, simplesmente isso.

Mas, uma coisa é certa… se é possível que possamos levar alguma coisa desse mundo, se é verdade que existe algo além daqui, então, com certeza absolutíssima, só podemos levar lembranças, conhecimento e sabedoria, nada mais. NADA mais.

Impopulares, uni-vos!

Esses tempos eu tenho estado um pouco nostálgica, é verdade. Estive me lembrando dos tempos de colégio, lá no primário, e tudo que se passou de lá pra cá na minha vida. Às vezes paramos para pensar nessas coisas, e percebemos o quanto aquilo tudo teve efeito nos dias atuais, não é verdade? Tem coisas que a gente realmente não esquece com o passar do tempo…

A verdade é que nunca fui uma “garota popular”. Além de não ser uma “delas”, não me dava a conversas com as tais, e não tinha facilidade alguma para fazer amizades. E como todos devem saber, isto é fato, os “populares” são muito claros nesse quesito: se você não é um deles, você está contra eles. Logo, eu fazia parte dos “outros”, aqueles que são vistos como alvos. É claro que nos dias de prova ou trabalho, todos viravam amigos, praticamente irmãos mesmo! Então o jogo mudava um pouco, já que eu fazia parte do detestável grupinho dos “cdfs”.

Eu tinha alguns colegas de classe, mas os meus verdadeiros amigos eram os livros. Livros bobinhos no início, aqueles paradidáticos mais moderninhos (Amor e Cuba Libre, eu me lembro bem… acho que comecei a gostar de livros depois de ler esse).Outros livros que eu amava eram aqueles da Coleção Vaga-Lume, da editora Ática. Confesso que agora não me lembro mais do enredo dos livros, na época em que li devia ter uns 11 anos, e a minha memória a longo prazo nunca foi das melhores. Mas lembro de alguns títulos: Sozinha no mundo, O escaravelho do diabo, Menino de Asas, Enigma na televisão, A primeira reportagem… Também gostei muito de uns livrinhos de contos, todos escritos por autores brasileiros, a maioria de humor, que faziam parte de uma coleção chamada “Para gostar de ler”. Realmente, eram os livros ideais para ensinar a uma criança o prazer da leitura.

Mas nosso velho sistema educacional não compreende isso. Por mais que eu gostasse de ler, foi impossível para mim ler alguns daqueles livros que eram obrigatórios na escola. Eu gostei muito de Dom Casmurro e O Seminarista, mas quando chegou a hora de ler Os Lusíadas, simplesmente não deu. Não lembro de livro mais chato que esse, que me desculpem os admiradores de Camões.

Nessa época eu estava muito mais interessada nos mistérios de Agatha Christie.

Muita coisa mudou de lá pra cá, é claro, e com o advento da internet ficou bem mais fácil para uma pessoa como eu se comunicar, se expressar, e fazer amigos. No final das contas, eu só posso agradecer por ter sido uma pessoa impopular, pois isso me fez encontrar a magia dos livros e da imaginação. Foi uma coisa muito importante para a minha formação, já que gosto muito de escrever e de “inventar”. Não digo que esse é o caminho para todos, pois cada pessoa encontra o seu próprio caminho para crescer - igual àquelas plantinhas que nascem nas ranhuras do cimento. Elas estão lutando para chegar à superfície, para encontrar a luz do sol. A natureza encontra seus pŕoprios meios, e cada pessoa tem o seu papel a desempenhar nesse planeta.

Por isso, eu digo: impopulares, uni-vos! A todos os esquisitos, os feios, os gordinhos ou magrelos, os discriminados, os nerds, os cdfs… enfim… não importa o que pensam sobre nós. O que importa mesmo, é o que nós pensamos sobre nós mesmos, e aonde queremos chegar! Avante, pois a evolução não pára jamais.

O Pé da letra tem chulé

Nossa mente, esta máquina evolucionária incrível (Darwin que o diga), sempre tende a nos pregar boas peças. Quanto mais aprendemos, lemos, ouvimos e observamos as coisas, mais entulho vai sendo armazenado em nosso cérebro. E a nossa tendência natural é sempre querer explicar tudo, encontrar fórmulas e receitas que possam nos dar a segurança que apenas a ciência e os livros se propõem a oferecer. Muitas vezes nos enganamos.

As novidades da ciência e tudo mais, você pode encontrar nos livros e na internet facinho. Mas aquela receita que só a vovó sabia fazer… Se você encontrar, pode tentar reproduzir, mas não ficará igual. Quem sabe depois de muitas tentativas… e mesmo assim, duvido muito…

Diante de um mundo tão cheio de informações, onde é possível encontrar de tudo um pouco, o homem se torna cada vez mais seguro de sua própria sabedoria. Mas não se engane, é só ilusão mesmo. A gente acha que sabe de tudo, mas não sabe não. As coisas mais importantes da vida, não se encontram nos livros, nem no mundo das idéias. Essas coisas a gente só encontra na vida real, e nas experiências que vivemos - ou seja, na prática.

E não precisa ser uma experiência terrível, ou algo que vá deixar traumas pro resto da vida… As lições que a vida nos traz chegam diariamente, em todos os momentos, cada vez que você pára de divagar sobre o passado ou futuro, e presta atenção no presente. As mensagens aparecem, e quase sempre não nos damos conta disso.

Porque vivemos sempre “ao pé da letra”. Buscando informações, manuais (de preferência com fotos, ou até um videotutorial no youtube, melhor ainda!) sobre tudo, inclusive as coisas que não podem ser restringidas à pequenez de uma definição, de um “verbete”. Até sobre o amor, queremos ler e estudar, então acabamos sempre absorvendo conceitos que outras pessoas criaram, de acordo com suas próprias experiências e a sua própria realidade.

Quantas vezes ouvimos uma estória, ou assistimos um filme, e nem sequer cogitamos um significado maior - nos apegamos apenas ao que a cronologia dos fatos conta. Mas existe muito mais - lembra dos velhos contos de fadas, tão cheios de “moral da história” ? A maioria das estórias possuem seus próprios significados, e devemos procurar compreendê-los na medida do possível.

Quando assisti Matrix e Senhor dos Anéis pela segunda vez, tudo pareceu diferente. Às vezes, uma simples frase pronunciada no meio do filme, pode ter mais significado para quem está assistindo do que para quem criou a estória. Quando estamos prestando atenção no momento presente, conseguimos captar as mensagens que “algo maior” nos traz, e quando digo “algo maior”, tanto pode ser Deus, como uma força magnética que nos aproxima das experiências que serão significativas na nossa vida. Pelo menos, é assim que penso.

Disso não se pode discordar: tem coisas que não dá pra buscar na wikipedia… Só vivendo pra saber.

O Flamboyant Vermelho se foi para sempre

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Era uma tarde de sol e eu saí para andar com meu cachorro, e por acaso, entrei numa rua que não me era estranha. Logo reconheci, e vi que se tratava da rua onde eu tinha morado na época dos meus 13 anos. O acaso me levou até lá, 10 anos depois.

Muitas das casas da vizinhança preservavam a lembrança que eu tinha do lugar. Mas, exatamente a casa que eu morei, simplesmente, não existe mais.

No lugar dela, um grande gigante de concreto. Grande, e “chique”.

No momento que vi aquilo, me senti triste. Como se tivessem apagado, eliminado um pedacinho da minha história, colocando outra coisa no lugar. Como se tivessem apagado alguns vestígios da minha existência; será assim, quando morremos? As coisas aos poucos vão sobrescrevendo todos os vestígios de que você um dia existiu?

Ah, aquela casa, onde eu vivi meus 12, 13 anos. Era uma casa grande, um terreno enorme cheio de árvores. Aquele flamboyant vermelho, “no desmantelo da tarde”, lindo, florido, logo na entrada, descendo em suas curvaturas naturais… aquele caminhozinho de pedras, do portão singelo de madeira até o terraço. Aquelas árvores muito altas, não sei o nome delas, mas elas pareciam pinheirinhos, soltavam umas bolinhas que espetavam, secas… que os meninos gostavam de juntar pra brincar de guerra.

Nada disso existe mais.

As mangueiras pesadas de frutos, onde os morcegos vinham à noite pra comer. O grande terreno de areia, onde eu corria com os cachorros dando voltas ao redor da casa, e onde também torci o pé uma vez e não consegui gritar de tão grande que foi a dor. Quando não tinha computador, e eu passava as tardes assistindo “Sessão da Tarde” ou reclamando que não tinha nada pra fazer.

Até a casa vizinha, onde morava naquele tempo o menino que foi meu primeiro namoradinho, estava lá, igualzinha; mas da casa que morei não existia nenhum vestígio.

Apenas um monte de famílias empilhadas umas sobre as outras, pessoas olhando lá de cima de suas varandas em uma posição privilegiada, observando a minha pequenez cá embaixo, com meu cachorrinho. E eu, tentando encontrar, um sinalzinho que fosse da minha passagem por ali. Aquelas pessoas me viam como mais um anônimo que passa na rua, e eu me sentia totalmente injustiçada com isso, EU, que morei anos e anos ali, que dominava aquele lugar inteiro onde hoje elas vivem.

De cima do flamboyant eu via a rua e os meninos jogando bola, bem do alto da minha introspecção própria e quase autista.
Hoje, não tem mais flamboyant nenhum. Só uma portaria.

Ali mesmo, onde o porteiro varria a calçada, uma árvore fez sombra pro meu primeiro beijo - que eu detestei, odiei, “que coisa nojenta” - eu pensei na época.

E ali naqueles minutos de indignação, encontrei, na lateral calçada do prédio, as únicas testemunhas vivas de que, um dia, eu fiz parte daquele lugar: duas árvores, hoje grandes, que na época ainda eram bem jovens, me olhavam de dentro de suas armaduras de longevidade inabalável; elas, que serviram de trave quando eu ensaiava pra ser goleira de futsal na escola, elas estavam ali intactas, mesmo depois de toda aquela destruição que aconteceu para que o monstro de concreto pudesse nascer. Elas continuavam. Não devem ter atrapalhado os planos do monstro, afinal, estavam à margem. Todo o resto precisou desaparecer completamente.

Elas, talvez, me reconheceram. Ninguém mais.

Congresso Internacional do Medo

Sobre o medo…

Qual será a característica mais comum da humanidade - o medo, ou a preguiça?

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Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão
flores amarelas e medrosas.
(Carlos Drummond de Andrade )

Praquê

A preguiça, é verdade, esta tirana… Me levou toda a inspiração nos últimos anos.
Mas estou tentando recuperar a velha vocação para as escritas, e algo me diz que isso só é possível através da prática.

Minha vida se encheu da tecnicidade árida da programação e dos projetos tecnológicos, e hoje, além da azia pelo excesso do café, estou sentindo também vontade de voltar a escrever. Quem sabe este é o meu verdadeiro papel nesse mundo, minha vocação… quem sabe… Quem sabe? Eu não sei, mas não custa tentar.

Se dizem que é a prática que leva à perfeição - e eu sempre acreditei nesta máxima - eu já sei que tenho de botar os neurônios pra funcionarem, extrair alguma coisa dessa “mente véia”, botar o miolo pra trabalhar. Então vamo lá…

Criei esse blog para colocar aqui tudo que não “cabe” no principal. Minhas idéias e reflexões sobre a vida e o mundo, questionamentos e teorias.

Pra toda vez que eu tiver um “algo a mais” pra dizer, mas não souber aonde colocar.