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30
Ceticismo como castigo
À medida que vamos crescendo, perdemos pouco a pouco as nossas crenças infantis; descobrimos que “Papai Noel” não existe (apesar que desde criança eu já sabia disso), muito menos o “Coelhinho da Páscoa”. Que não tem nada demais embaixo da cama, ou dentro do armário. E se o galo cantar quando você estiver fazendo uma careta, nada irá acontecer.
Chegamos à adolescência e vamos perdendo mais algumas de nossas crenças dessa nova fase – descobrimos que o primeiro beijo não é lá essas coisas, que nada demais acontece porque completamos 13 ou 15 anos (mesmo se fizermos uma baita festa), e não “viramos adultos” quando completamos 18 anos. O príncipe encantado não tem nada de encantado, e é mais fácil e mais comum um príncipe virar sapo, do que o contrário acontecer.
A questão é que vamos, pouco a pouco, comendo a maçã… e o preço que pagamos por isso é alto, porém, justo. À medida que vamos tendo acesso ao conhecimento e às verdades da vida, pagamos com desilusões, e vamos ficando cada dia um pouquinho mais céticos com relação ao mundo e às pessoas. Esse é um processo natural.
Parece que quanto mais conhecemos as coisas do mundo, as leis físicas, as descobertas científicas, mais provamos o gostinho amargo do “tanto faz” . É amargo, porque não deixa de ser uma decepção. Na verdade, não é um ceticismo completo; é simplesmente a incerteza. É chegar à certeza de que não se pode ter certeza de nada nessa vida.
É como amar, se desapontar, e não querer mais amar ninguém. Ou querer, mas ter medo, não entrar 100%, ficar sempre com um pézinho atrás, pronto pra dizer “eu já sabia!!!” no momento oportuno.
Enquanto aqueles, que vivem na ignorância, não carregam dúvidas ou incertezas, seguem adiante sem olhar pros lados, e parecem ser sempre felizes.
Quem mandou comer a maçã? Você já sabia, que tudo tem um preço, e que você paga pelo que você sabe.
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